Avanço de fake news no Facebook começou com queda de Dilma e teve ápice sob Bolsonaro, diz estudo

Repercussão da reportagem de Katna Baran sobre os relatórios #1 e #2 no A. A. Notícias

Crédito: Danilo Verpa, Folhapress
https://www1.folha.uol.com.br/poder/2021/08/avanco-de-fake-news-no-facebook-comecou-com-queda-de-dilma-e-teve-apice-sob-bolsonaro-diz-estudo.shtml?utm_source=sharenativo&utm_medium=social&utm_campaign=sharenativo

As páginas do Facebook classificadas como propagadoras de notícias falsas começaram a crescer em postagens e interações a partir de 2015, quando avançou a pressão pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT), que evoluiu durante a campanha eleitoral de 2018, atingiu picos nos primeiros meses da pandemia, em 2020, e diminuiu com a pesquisa de notícias falsas do STF (Supremo Tribunal Federal).

Essas são algumas das conclusões de um estudo inédito de pesquisadores da Universidade Positivo, de Curitiba, envolvendo eleições, redes sociais e democracia. Os dois primeiros relatórios da análise —que ainda terão outras abordagens— foram acessados ​​previamente pelo Folha.

O trabalho usa dados do CrowdTangle, um aplicativo de navegação do Facebook que segue o conceito das postagens mais populares e cobre páginas consideradas produtoras e emissoras de notícias falsas em um relatório da CPMI de abril de 2020 do Fake News in Congress.

A primeira seção do estudo analisou em profundidade as publicações e interações de 27 perfis do Facebook de 2010 a 2020.

Este pequeno universo de páginas conseguiu, num total de 206,6 mil publicações, gerar 253,7 milhões de interações em postagens no período analisado, sendo a grande maioria (87,9%) via curtidas e compartilhamentos.

O momento chave para o crescimento desses perfis foi 2015, quando se concretizaram os protestos pelo impeachment de Dilma, que deixou o cargo em agosto de 2016.

A evolução das páginas segue uma tendência ascendente até atingir o primeiro pico em outubro de 2018, com a eleição do presidente Jair Bolsonaro.

O período de maior efervescência no número de postagens nas páginas compreende o início do mandato do atual presidente, em janeiro de 2019, e os primeiros casos da Covid-19 no Brasil, em março de 2020.

As interações nas postagens, por outro lado, atingem seu pico logo após a Polícia Federal cumprir mandados no âmbito da investigação de notícias falsas, que investiga a produção de informações falsas e ameaças ao STF.

“Além do início da pandemia, esse aumento se dá em meio à saída do ministro [Sergio] Vivo e trocas ministeriais em Saúde, o que gera outra visibilidade para as questões internas do próprio governo, gerando uma reflexão sobre a dinâmica das redes ”, afirma Eduardo Faria Silva, coordenador da Faculdade de Direito da Universidade Positivo e orientador do estude.

Depois disso, os dois bancos de dados mostram uma tendência de queda, mas as postagens e as interações permanecem em níveis elevados.

Silva destaca que grande parte das páginas citadas no relatório da CPMI foram desativadas antes mesmo da pesquisa. “Do total de 843, 741 já não existiam. E dos 47 classificados como notícias falsas, apenas 27 permaneceram. Isso demonstra um universo de movimentação de contas permanentes nesse ambiente digital. ”

Mesmo com um número significativamente menor do que o inicialmente registrado pelo relatório, o especialista destaca que esses perfis conseguem formar uma bolha em torno de determinados temas.

“Esse universo de páginas é um ambiente que nem todas as pessoas conhecem, que trafega em determinado público e movimenta milhões de postagens e interações”, explica.

Essa bolha citada por Silva é ampliada em uma segunda rodada de pesquisas, que se concentra em entender a dinâmica dos campos de influência política no Facebook.

Para isso, os pesquisadores analisaram quantitativamente as postagens e interações de 93 perfis classificados como direito e esquerdo e que interferiram na dinâmica da eleição presidencial de 2018, de acordo com a metodologia adotada pelo estudo.

Entre as páginas à direita estão algumas vinculadas ao presidente, como a de seu filho, o vereador Carlos Bolsonaro (republicano), e outras que se afastaram da base de Bolsonaro nos últimos anos, como a do MBL ( Movimento Brasil Livre) e da deputada federal Joice Hasselmann (PSL-SP).

Do lado esquerdo, além das páginas vinculadas ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ao ex-candidato Guilherme Boulos (PSOL), também estão perfis de veículos de comunicação, como o Mídia Ninja.

A partir desse exame, os pesquisadores constataram que os campos políticos de maior influência da rede se inverteram ao longo dos anos no Brasil.

O ano de 2015 marcou a queda vertiginosa das páginas consideradas da esquerda e o aumento expressivo da direita no número médio de seguidores de cada postagem.

Embora os perfis de esquerda tenham um número maior de publicações, os gráficos do estudo mostram que as interações sobre o conteúdo postado pelo grupo oposto serão muito maiores a partir do final de 2016.

O domínio das repercussões do campo da direita consolidou-se com a eleição de Bolsonaro, dois anos depois.

Conforme constatado na primeira parte da pesquisa, que abrangeu apenas páginas dedicadas à publicação de notícias falsas, também há picos de interações no período da última campanha presidencial e no início da pandemia em 2020.

Mais do que demonstrar a inversão da influência dos campos políticos, Silva destaca que os dados levantados a partir de 2015 mostram que as redes sociais têm maior capacidade de mobilização do que os veículos tradicionais de comunicação e que essa tendência tende a se expandir para os próximos processos.

“Como as redes aceleram o processo, quem tiver capacidade de atuar sobre elas terá maior capacidade de obter o resultado ou de estar muito próximo do resultado desejado do ponto de vista eleitoral. Os atores principais precisam ter as redes como elemento fundamental de suas estratégias, pois o que aconteceu no passado não é mais suficiente para convencer o eleitor ”, avalia.

Leia mais em: https://aracajuagoranoticias.com.br/2021/08/23/avanco-de-fake-news-no-facebook-comecou-com-queda-de-dilma-e-teve-apice-sob-bolsonaro-diz-estudo/
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