Estudo mostra influência de páginas do Facebook nas eleições e na democracia brasileira

Reportagem sobre resultados do Grupo de Pesquisa ‘Democracia e Tecnologias Digitais’ no RIC Mais

Crédito: Pexels, RIC Mais

Estudantes de Mestrado em Direito da uma universidade privada de Curitiba produziram um trabalho científico que envolve eleições, redes sociais e democracia. Eles analisaram o ganho de escala e a capilaridade que 27 páginas do Facebook foram capazes de alcançar entre os anos de 2010 e 2020 e identificaram que 2015 foi o “momento-chave” para o crescimento contínuo desses perfis.

Por meio de 206,6 mil publicações, foram geradas 253,7 milhões de interações nas postagens ao longo do período analisado, sendo que a grande maioria (87,9%) foi por meio de curtidas e compartilhamentos. As páginas analisadas são públicas e integram um universo de diferentes plataformas – geridas pela mesma pessoa ou grupo – que foram consideradas produtoras e difusoras de “Fake News” por uma Consultoria Legislativa da Câmara de Deputados.

A pesquisa também identificou os momentos em que tais perfis cresceram de forma acentuada, a ponto de o gráfico de desempenho formar hipérboles. Fazendo uso de ferramentas de estatística descritiva e do próprio CrowdTangle, aplicativo de navegação no Facebook que segue o conceito de posts “overperforming” (mais populares), os pesquisadores verificaram três momentos em que fica evidente o salto na produção de posts e interações. São eles: eleições majoritárias em 2018, o primeiro ano de mandato do presidente da República Jair Bolsonaro, em 2019, e o primeiro ano da pandemia de Covid-19, até meados de 2020. O levantamento é resultado de um estudo inédito sobre fake news e eleições, apresentado pela Universidade Positivo (UP) ao Facebook.

Ainda levando em conta o número de postagens e interações, o segundo semestre de 2020 apresenta uma queda acentuada da dinâmica do universo das 27 páginas, em especial, após os mandados judiciais expedidos pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), nos Inquéritos das Fake News e dos Atos Antidemocráticos.

Os dados da CPI das Fake News foram extraídos e analisados pelo Grupo de Pesquisa sobre Democracia e Tecnologias Digitais do Mestrado em Direito da UP. 

Integram o grupo do Mestrado em Direito da Universidade Positivo os pesquisadores: Ana Carolina Contin Kosiak, Anderson Marcos dos Santos, Gabriel Schulman, Giulia de Angelucci, Laymert Garcia do Santos, Olívia Alves Gomes Pessoa e Vinícius Cunha Zanatta da Silva.

27 páginas com 6 perfis

No primeiro relatório parcial da pesquisa, o grupo realizou também uma análise de seis perfis que predominaram por arquétipo no universo das 27 páginas analisadas do Facebook. São eles: (a) humor, Jacaré de Tanga; (b) religião, Gospel Prime; (c) política, Terça Livre; (d) anticientífica, Terra Plana; (e) saúde, Naturalmente Saudável; (f) personalidade pública, Dr. Robert Rey.

Tais perfis, ao longo dos anos de 2015 a 2020, foram responsáveis por um total de 59,4 mil postagens que conseguiram 60,6 milhões de interações nas publicações ao longo do mesmo período. Em comum, os seis perfis reforçam os indícios de existência de bolhas formadas por temas de interesse, já que, conforme os pesquisadores, não são conhecidos por uma parcela considerável da população e, mesmo assim, apresentam um engajamento de alta performance. Em termos de número de postagens e interações, o ano das eleições de 2018 mostrou uma dominância plena do perfil de humor Jacaré de Tanga.

Os perfis Terça Livre, Dr. Robert Rey e Naturalmente Saudável, que abordam diretamente temas de política e saúde, registraram um salto na média de interações anuais em cada postagem em 2019, início do governo do presidente Jair Bolsonaro. Já o perfil religioso Gospel Prime e de anticiência Terra Plana apresentaram um crescimento em 2018 e mantiveram uma constância em 2019 e 2020.

Leia mais em: https://ricmais.com.br/noticias/estudo-mostra-influencia-de-paginas-do-facebook-nas-eleicoes-e-na-democracia-brasileira/
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