Facebook: páginas de fake news atingiram ápice no governo Bolsonaro, diz estudo

Reportagem sobre resultados do Grupo de Pesquisa ‘Democracia e Tecnologias Digitais’ no IG Tecnologia

Crédito: Unsplash/Alex Haney, IG Tecnologia.

Páginas propagadoras de notícias falsas no Facebook começaram a crescer a partir de 2015, durante a pressão pelo impeachment de Dilma Rousseff, evoluíram nas eleições de 2018 e atingiram pico máximo de postagens e interações nos primeiros meses da pandemia de Covid-19.

Essa é a conclusão de um estudo de pesquisadores da Universidade Positivo, de Curitiba, divulgado pela Folha de S. Paulo nesta segunda-feira (23). A pesquisa usou dados do aplicativo CrowdTangle, que mostra as publicações mais populares na rede social.

No estudo, 27 perfis do Facebook classificados como propagadores de notícias falsas tiveram suas publicações e interações analisadas de 2010 a 2020. Durante o período, 253,7 milhões de interações foram detectadas em todas as 206,6 mil publicações.

A pesquisa concluiu que o momento-chave para um grande crescimento desses perfis foi em 2015, quando manifestações pelo impeachment da então presidente Dilma começaram a ganhar força. As páginas seguiram uma tendência de alta até outubro de 2018, quando há um primeiro pico durante a eleição de Jair Bolsonaro.

Este porém, não foi o maior pico. Outros dois foram registrados no início do mandato de Bolsonaro, em janeiro de 2019, e quando surgiram os primeiros casos de Covid-19 no Brasil, em março de 2020.

“Além do começo da pandemia, essa alta se dá em meio à saída do ministro [Sergio] Moro e trocas ministeriais na Saúde, o que gera outra visibilidade para as questões internas do próprio governo, gerando um reflexo na dinâmica das redes”, afirma Eduardo Faria Silva, coordenador da Escola de Direito da Universidade Positivo e orientador do estudo, à Folha.

As interações sobre as publicações dessas páginas atingiram seu ápice logo após o cumprimento de mandados por parte da Polícia Federal referentes ao  inquérito das fake news no Supremo Tribunal Federal (STF). Depois disso, postagens e interações decaíram, mas mantiveram níveis altos.

“Esse universo de páginas é um ambiente que nem todas as pessoas conhecem, que tem um trânsito num determinado público e movimenta milhões de postagens e interações”, afirma Silva.

Leia mais em: https://tecnologia.ig.com.br/2021-08-23/facebook-fake-news-bolsonaro.html
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